segunda-feira, julho 13, 2026

O Atrium na Herdade da Barrosinha levando a nossa solidariedade às vítimas das recentes tempestades

 

As tempestades que assolaram sobretudo o centro do país, deixaram um rasto de destruição, cuja reparação afigura-se um processo longo e difícil.

Com o objectivo de dar a nossa modesta contribuição para esse processo, o Atrium decidiu realizar uma visita à Herdade da Barrosinha, situada no município de Alcácer do Sal, uma das zonas mais atingidas por aquelas tempestades.

No período mais crítico desses dias, chegaram a estar acolhidas no Hotel da Barrosinha cerca de 50 pessoas desalojadas, pois parte da aldeia ficou submersa.

Neste momento a Herdade da Barrosinha está a trabalhar no sentido de voltar ao seu funcionamento normal, tendo acedido ao nosso pedido abrindo o restaurante para a realização do almoço, que teve lugar no passado dia 25 de junho.

Um pouco de história sobre esta herdade.

A sua origem remonta a finais do século XIX, quando se assiste à extinção das Ordens Religiosas e à nacionalização e venda dos seus bens, do que resultou a constituição das grandes propriedades, que hoje ainda perduram no concelho, como Comporta, Palma, Pinheiro e Barrosinha.

Em 1947 nasce a Companhia Agrícola da Barrosinha, integrada na Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca, então uma das maiores empresas de produção e distribuição de vinhos, funcionando como uma propriedade agroindustrial, dedicada aos setores vinícola, produção de cerâmica, pecuário e agrícola, nomeadamente na produção de arroz, cortiça, vinho, gado bovino e pinha. Além disso, possuía uma aldeia onde residiam trabalhadores e suas famílias, criando uma comunidade em torno das atividades produtivas da propriedade.

Dada a sua dimensão, cerca de dois mil hectares, e a exploração praticada em grande escala, a Barrosinha funcionou como um microcosmo rural, um lugar de trabalho, mas também de vida social, onde não faltavam a escola, a taberna e a capela.

Durante o chamado Estado Novo, a sua Albergaria era procurada pelos grandes latifundiários e pelas altas figuras do regime de então, não faltando a realização de eventos desportivos, a cargo da Mocidade Portuguesa.

Consequentemente, com o 25 de Abril vivem-se momentos de perturbação, chegando a concretizar-se a sua ocupação, em junho de 1975 e, quatro anos depois, parte do património era restituído aos antigos proprietários, ficando a sua administração tripartida, entre o Ministério das Finanças, o Ministério da Agricultura e os proprietários.

Mais recentemente, em 2009, surge um muito ambicioso projecto turístico-imobiliário, o “Barrosinha Nature Farm Resort” (estes nomes no idioma de Shakespeare não enganam…), que se propunha construir 7894 camas, distribuídas por aldeamentos e vários hotéis, sem esquecer o inevitável campo de golf e a produção de vinhos…

Este projecto megalómano (em 12 anos, deveriam nascer, entre muito outros equipamentos, um hotel de cinco estrelas com 150 quartos, um de quatro estrelas com mais 80 quartos, 11 aldeamentos turísticos de quatro estrelas, com cerca de dois mil fogos, num total de oito mil camas, e um campo de golfe com 18 buracos) que implicaria 600 milhões de euros de investimento, considerado “rural chique” (?), chegou a ser classificado como Projecto de Interesse Nacional, os famigerados PIN, mas nunca avançou de vido á falência de empresa promotora.

É então que a Barrosinha, em pré-falência, é adquirida por um fundo que gere dezenas de activos imobiliários falidos, e tem-se verificado a renovação do projecto, de forma faseada e menos ambiciosa, cuja prioridade é "reabilitar as atividades que estavam fechadas desde 2012", numa perspectiva realista, valorizando a riqueza paisagista e fomentando a sustentabilidade ambiental e económica.

E foi nesta “nova” Barrosinha que nos encontrámos para um almoço e para uma visita, ainda que superficial, à sua actual realidade.

Foi um dia bem passado que, para além do sempre animado convívio, nos deu a conhecer uma realidade desconhecida para muitos de nós.