O Atrium no Museu Nacional de Etnologia desconstruindo os mitos do colonialismo português
Foi no passado dia 12 de março que rumámos ao Museu de Etnologia para uma visita guiada à exposição “Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário”.
Fomos recebidos pela comissária da
exposição, a historiadora Isabel Castro Henriques, que nos guiou numa muito
interessante “viagem” pelos mitos e realidades do colonialismo português.
Organizada conjuntamente pelo Museu
Nacional de Etnologia e o Centro de Estudos Sobre África e do Desenvolvimento
do Instituto Superior de Economia e Gestão, a exposição foi realizada no âmbito
das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, e resulta das pesquisas
desenvolvidas pela equipa de cerca de trinta investigadores, tendo igualmente
contado com o contributo de muitas entidades, nacionais e estrangeiras, que
cederam a documentação iconográfica apresentada nos painéis explicativos em torno
dos quais se desenvolve a narrativa da exposição.
Concebida e coordenada pela
historiadora Isabel Castro Henriques, visa apresentar as linhas de força do
colonialismo português em África nos séculos XIX e XX, e tem como objetivos
desconstruir os mitos criados pela ideologia colonial, descolonizar os imaginários
portugueses e contribuir, de forma pedagógica e acessível, para uma renovação
do conhecimento sobre a questão colonial portuguesa nas suas complexas
dimensões, incluindo uma valorização da história dos povos colonizados.
A narrativa da exposição é estruturada em dois
eixos centrais. O primeiro eixo organiza-se em sete painéis temáticos, nos
quais o texto e a imagem se articulam, pondo em evidência as características do
colonialismo português, e dando a palavra ao conhecimento histórico. Os sete
temas são: I – “Estamos em África há 500 anos”; II – “Missão civilizadora” e
“Progresso”; III – “Vocação colonial” e “Missão histórica”; IV – “Os outros”
(selvagens) e “Nós” (civilizados); V – A “África portuguesa”; VI – “A grandeza
da nação” e a luta armada; VII – Descolonização, independências e legados do
colonialismo.
O segundo eixo apresenta as obras de
arte africanas, como evidências materiais do pensamento e da cultura africanas,
evidenciando a complexidade organizativa dos sistemas sociais e culturais
destas sociedades, permitindo mostrar a criatividade, a vitalidade, a
sabedoria, a racionalidade, a diversidade identitária e as competências
africanas e contribuindo para evidenciar e desconstruir a natureza
falsificadora dos mitos coloniais portugueses.
No final da “viagem”, enriquecida pela simpatia e pelo saber
da nossa guia, esperava-nos um apontamento de um extraordinário valor
simbólico, a caneta com que Melo Antunes assinou o Acordo de Alvor,
realizado em janeiro de 1975, celebrado entre o governo português e os movimentos
de libertação de Angola, consagrando o princípio da independência daquela
colónia.
Era o desfazer do mito criado e alimentado pelo Estado Novo
de “Portugal do Minho a Timor”, o ponto final do colonialismo português que
muitos de nós, de uma maneira ou de outra, combatemos nos tempos difíceis da
ditadura.
2 Comments:
Parabéns. Muito Bom.
Saudações Atriunistas
Albano
Parabéns pela vossa reportagem fiquei com vontade de revisitar o museu. Uma consulta no mesmo dia e há mesma hora impediu-me de participar. É um tema pelo qual nutro particular interesse.
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