sábado, março 15, 2025

O Atrium no Museu Nacional de Etnologia desconstruindo os mitos do colonialismo português

Foi no passado dia 12 de março que rumámos ao Museu de Etnologia para uma visita guiada à exposição “Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário”.

Fomos recebidos pela comissária da exposição, a historiadora Isabel Castro Henriques, que nos guiou numa muito interessante “viagem” pelos mitos e realidades do colonialismo português.

Organizada conjuntamente pelo Museu Nacional de Etnologia e o Centro de Estudos Sobre África e do Desenvolvimento do Instituto Superior de Economia e Gestão, a exposição foi realizada no âmbito das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, e resulta das pesquisas desenvolvidas pela equipa de cerca de trinta investigadores, tendo igualmente contado com o contributo de muitas entidades, nacionais e estrangeiras, que cederam a documentação iconográfica apresentada nos painéis explicativos em torno dos quais se desenvolve a narrativa da exposição.

Concebida e coordenada pela historiadora Isabel Castro Henriques, visa apresentar as linhas de força do colonialismo português em África nos séculos XIX e XX, e tem como objetivos desconstruir os mitos criados pela ideologia colonial, descolonizar os imaginários portugueses e contribuir, de forma pedagógica e acessível, para uma renovação do conhecimento sobre a questão colonial portuguesa nas suas complexas dimensões, incluindo uma valorização da história dos povos colonizados.

 A narrativa da exposição é estruturada em dois eixos centrais. O primeiro eixo organiza-se em sete painéis temáticos, nos quais o texto e a imagem se articulam, pondo em evidência as características do colonialismo português, e dando a palavra ao conhecimento histórico. Os sete temas são: I – “Estamos em África há 500 anos”; II – “Missão civilizadora” e “Progresso”; III – “Vocação colonial” e “Missão histórica”; IV – “Os outros” (selvagens) e “Nós” (civilizados); V – A “África portuguesa”; VI – “A grandeza da nação” e a luta armada; VII – Descolonização, independências e legados do colonialismo.

O segundo eixo apresenta as obras de arte africanas, como evidências materiais do pensamento e da cultura africanas, evidenciando a complexidade organizativa dos sistemas sociais e culturais destas sociedades, permitindo mostrar a criatividade, a vitalidade, a sabedoria, a racionalidade, a diversidade identitária e as competências africanas e contribuindo para evidenciar e desconstruir a natureza falsificadora dos mitos coloniais portugueses. 

No final da “viagem”, enriquecida pela simpatia e pelo saber da nossa guia, esperava-nos um apontamento de um extraordinário valor simbólico, a caneta com que Melo Antunes assinou o Acordo de Alvor, realizado em janeiro de 1975, celebrado entre o governo português e os movimentos de libertação de Angola, consagrando o princípio da independência daquela colónia.

Era o desfazer do mito criado e alimentado pelo Estado Novo de “Portugal do Minho a Timor”, o ponto final do colonialismo português que muitos de nós, de uma maneira ou de outra, combatemos nos tempos difíceis da ditadura.
















2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Parabéns. Muito Bom.
Saudações Atriunistas
Albano

15/3/25 22:56  
Blogger Jorge said...

Parabéns pela vossa reportagem fiquei com vontade de revisitar o museu. Uma consulta no mesmo dia e há mesma hora impediu-me de participar. É um tema pelo qual nutro particular interesse.

17/3/25 21:52  

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