O Atrium apreciando a obra multifacetada de Bordalo Pinheiro
Foi no passado dia 16 de junho que o
Atrium se deslocou até ao Campo Grande, para uma visita guiada à nova Exposição
da Coleção do Museu Bordalo Pinheiro. Esta exposição, inaugurada em 15 de
janeiro apresenta uma visão atual sobre a vida e a obra do artista, nas
diferentes áreas em que trabalhou e atuou.
Ele foi caricaturista, ilustrador,
fez trabalhos gráficos diversos, figurinista, e também ceramista, decorador e
empresário.
Nascido em Lisboa (1846 – 1905), aí
viveu grande parte da sua vida, tendo convivido com importantes escritores,
jornalistas, atores, dramaturgos, encenadores. Viveu no Rio de Janeiro, durante
quatro anos, onde dirigiu três dos oito jornais humorísticos que fundou ao
longo da vida.
Liberal, anti-monárquico,
anti-clerical, socialmente comprometido, sonhou e lutou pela República, e no
seu jeito alegre e mordaz, riu e fez rir a sociedade do seu tempo.
Hoje, mais uma vez, fez-nos rir e
refletir.
Esta nova Exposição é composta por
sete salas:
- A SITUAÇÃO… PELA LENTE DE BORDALO
A segunda metade do século 19 foi
marcada por grandes transformações políticas, económicas, sociais, tecnológicas
e artísticas. Os desenvolvimentos da imprensa, dos transportes e das
comunicações permitiram a Bordalo acompanhar os acontecimentos nacionais e
internacionais.
- JOGOS DE HUMOR: DO DESENHO À
CERÂMICA
Bordalo explorou de forma criativa o
desenho humorístico, tornando-o o seu principal meio de expressão. Da
personagem à ação, e desta à construção da narrativa gráfica, Bordalo desvenda
o seu contributo para a banda desenhada.
- FIGURAS E PERSONAGENS
Bordalo caricaturou as principais
personalidades do seu tempo, salientando-se os políticos, mas também, os
escritores e os atores, estes por especial apetência do artista e pela sua
importância na vida cultural e mundana.
Criou personagens necessárias à
crítica social e política, sendo exemplos maiores o Zé Povinho.
- OS PALCOS DE LISBOA
A cidade de Lisboa é tema e palco de
grande parte da crónica humorística de Bordalo. Foi aí que nasceu e viveu
a maior parte da sua vida. Para a transformação das ruas de Lisboa contribuíram
os seus projetos de decoração para montras e o desenho de cartazes
publicitários.
- COMÉDIA POLITICO-BURLESCA
Os jornais de Bordalo acompanhavam de
perto a vida política nacional. Alguns temas são recorrentes, como os vícios do
sistema e as manobras partidárias, as eleições, a dívida e as obras públicas,
entre outros.
- TRAGICOMÉDIA SEM LIMITES
Bordalo não excluiu da sua produção
humorística quaisquer indivíduos, instituições, temas ou ideias. Entre os
ingredientes de humor que usou fazem parte costumes populares, religiosos,
manifestações da cultura erudita, mas também preconceitos sociais, raciais, de
género e sexuais.
- O LÁPIS COMO ARMA
No final do século XIX assistiu-se ao
aumento da contestação política e do conflito social. Paralelamente foram
postas em marcha medidas de controlo e repressão no espaço público. As ruas de
Lisboa e do Porto eram vigiadas em permanência pela polícia, limitando as
liberdades de expressão e reunião. A imprensa, poderoso meio de formação da
opinião pública, encontrava-se cada vez mais ameaçada pela censura.
Bordalo encara o seu lápis como arma
de defesa e contra-ataque na luta pela liberdade e igualdade. Esse poderoso
instrumento de desenho permitia-lhe expressar as suas ideias, denunciando
situações e instigando ações de mudança.
Paralelamente tivemos o prazer de
visitar a exposição “Toma! 150 anos de Zés Povinhos”, onde
pudemos acompanhar o percurso desta personagem criada por Bordalo, no ano de
1875 nas páginas do seu jornal “A Lanterna Mágica”, que ao longo dos
mais de 150 anos da sua vida, foi apropriado por outros caricaturistas saltando
para as páginas dos jornais humorísticos, subiu aos palcos de teatro, estando o
seu celebérrimo manguito presente em cartazes publicitários e de propaganda
política, selos de correio, marcas comerciais, capas de jornais, etc...
Foi uma manhã bem aproveitada na
companhia deste Bordalo e do seu Zé Povinho, que já ganhou um lugar no nosso imaginário, como
um símbolo do povo português.

















































