O Atrium no Museu Vieira da Silva redescobrindo a obra de Arpad Szenes, e recordando Eduardo Salavisa
Foi no passado dia 16 de outubro que nos encontrámos no Jardim das Amoreiras para uma visita guiada à exposição “Arpad” que, segundo o seu curador Nuno Faria, pretende olhar para o pintor de origem húngara com novos olhos.
Não é uma retrospetiva de Arpad Szenes, até porque a exposição mostra-nos sobretudo obras de pequena e média dimensão do artista que foi casado com Maria Helena Vieira da Silva de 1930 até à sua morte, em Paris, em 1985.
Fomos acompanhados durante a visita
pelo Renato Santos que nos conduziu de uma maneira descontraída e ao mesmo
tempo didática e interessante pelos seis núcleos temáticos em que a exposição se
divide: A Obra ao Negro, Simbolismos, Metamorfoses de toda as sortes, Corpos em
Cena, Derivas e Irisdescências.
De salientar a diversidade de
registos e técnicas representados nesta exposição o que, nas palavras de Nuno
Faria, mostra “Arpad como uma espécie de flâneur”.
Uma referência ao primeiro núcleo
expositivo, Obra ao Negro, onde vimos desenhos de Arpad realizados nos anos
1920, quase todos autorretratos a carvão e tinta da china, mas também desenhos
de florestas e árvores, algumas delas calcinadas. Eram os anos da Primeira
Guerra Mundial, tendo Arpad feito o serviço militar na cavalaria, e embora não indo
para a frente de batalha, observou de perto a morte, pois foi enviado para
Zagreb como retratista de jovens soldados mortos em combate.
Para concluir algumas linhas sobre a
vida e a obra de Arpad Szenes, nascido em Budapeste a 6 de maio de 1897 e
falecido em 1985.
Em 1930 casou com Maria Helena Vieira
da Silva em Paris, tendo adquirido a nacionalidade francesa em 1956. Oriundo de
uma família artística (o tio era compositor e músico, um primo escultor e
outro encenador e diretor de um teatro em Budapeste), cedo revelou talento para
as artes. Em 1920 inscreve-se na École Libre des Beaux-Arts de
Budapeste, mas a sua ambição é ir para Paris. Expõe pela primeira vez em 1922
num concurso de pintura abstrata no Museu Ernst, de Budapeste.
Em 1925 passa uma temporada em Paris
vivendo dos retratos e caricaturas que faz nos cafés de Montmartre, onde conhece
Maria Helena Vieira da Silva em 1928.
A obra de Arpad Szenes é
indissociável da relação com Vieira da Silva, e refira-se a propósito que esta
exposição que visitámos abre com uma obra feita a dois, Le Feu d'Artifice
(1939). Para o curador Nuno Faria, "esta exposição conta a história
de outro pintor, aquele que se foi mantendo na sombra da ascensão de Vieira ao
estatuto de grande artista".
Arpad Szenes, ao longo das décadas,
expôs em importantes instituições e galerias na Europa e fora dela. Em 1962 foi
nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras pelo Estado Francês, e em
1988, a título póstumo, foi agraciado pelo Presidente da República
Portuguesa com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.
Terminada a visita, juntámo-nos no Jardim das Amoreiras, junto a uma Cadeira colocada no meio de um canteiro, que não é mais do que uma original escultura que evoca e homenageia Eduardo Salavisa, que foi um destacado Ilustrador, pintor e professor, fundador dos Urban Sketchers Portugal.
Esta escultura, da autoria de Clara
Marta foi inaugurada no dia 3 de abril de 2022, e pretende ser um convite ao
desenho do quotidiano, como se pode ler na placa informativa que se encontra
junto dela.
Recorde-se que Eduardo Salavisa, que
faleceu em 7 de novembro de 2020, era irmão do nosso companheiro Tó, e animou
diversas iniciativas do Atrium onde pudemos apreciar a sua simpatia e a
qualidade da sua obra.
Ainda relativamente ao “cadeirão”
refira-se que ele é uma réplica em bronze da cadeira onde Eduardo Salavisa
retratou 96 amigos que o visitaram durante a sua doença, conjunto de desenhos
que foi publicado em livro com o título “Caderno de Retratos – Memórias
Imperfeitas” (mais abaixo publicamos o retrato da nossa companheira Guida de
Sousa, incluído nessa publicação).




























































