Um dia bem passado que começou no Farol do Cabo da Roca e terminou na Fundação Albuquerque.
II – A FUNDAÇÃO
A Fundação dedica-se ao estudo,
conservação e divulgação da coleção, promovendo exposições de longa duração da
coleção Albuquerque e exposições temporárias de artistas contemporâneos ligados
à cerâmica, com o objectivo de promover a reflexão sobre o significado
artístico, cultural e histórico da produção cerâmica.
Quando chegámos, ao passar pelos
portões da entrada, ficámos surpreendidos com o conjunto do bonito edifício
clássico, a antiga propriedade familiar do século XVIII, e do novo pavilhão que
lhe fica adjacente, um pavilhão de vidro com um enorme telhado em madeira, tudo
enquadrado por um belo e frondoso jardim.
Ao entrarmos no pavilhão descemos a
escada em espiral que nos conduziu à galeria onde está a exposição Connections
e aqui fomos recebidos pela Renata Madeira, que nos iria guiar na visita.
Esta exposição reúne quase trezentas
peças - das mais diversas influências, do sul asiático, das arábias, do mundo
islâmico, do mundo cristão, chinês, japonês e indiano - que contam histórias
sobre as “conexões” que, ao longo de séculos, se estabeleceram entre povos e
culturas muito distantes, estimuladas pela produção e pelo comércio da cerâmica
e, principalmente, da porcelana.
Uma referência especial ao facto de
esta colecção incluir 40 peças que fizeram parte da primeira encomenda feita
pelos portugueses, no início do século XVII.
Um pouco de história do percurso de
Renato Albuquerque, engenheiro civil brasileiro, hoje com 99 anos, cofundador
na década de 50 do século passado, de uma das maiores empresas de construção
naquele país.
A relação de Renato Albuquerque com
Portugal é antiga. Aqui com amigos e negócios desde o final dos anos 80, conheceu
nessa época uma quinta, perto de Sintra, de traça oitocentista e jardim de
frondosas árvores, e aí faz a casa de verão da família. E é precisamente este o
espaço que visitámos, agora reformulado e transformado em museu.
O início do colecionador foi algo insólito,
pois a primeira peça de cerâmica chinesa comprada por si num leilão em São
Paulo, estava rachada atrás… Aquilo que poderia ser um início desencorajador,
foi o inverso, e levou, à criação da mais importante coleção privada do mundo
de porcelana de exportação das dinastias Ming e Qing. Ao longo de seis décadas,
Albuquerque reuniu mais de 2.600 obras de porcelana chinesas, sendo a mais
antiga datada do século XX a.c.
Refira-se que algumas das peças da
coleção já foram exibidas em instituições de renome internacional, como o Metropolitan
Museum of Art (Nova Iorque) e o Victoria & Albert Museum (Londres),
entre outras.
Tivemos ainda a oportunidade de
apreciar, num pavilhão situado ao fundo do jardim, a exposição “Poemas – a
Coleção Albuquerque por André Romão” que através do olhar de André
Romão sobre a Coleção Albuquerque de Cerâmica Chinesa, reúne uma seleção de
obras da coleção e um conjunto de obras do artista, estabelecendo diálogos
entre diferentes objetos, materiais e formas de expressão.
A visita terminou na agradável
esplanada junto do edifício clássico, saboreando um café (simpática oferta para
os visitantes) num fim de tarde ameno.
Foi o final perfeito para mais uma
actividade do nosso Atrium.





























































