Foi num sábado quente – dia 16 de
maio – que o Atrium foi até Mafra para uma visita guiada ao novo Museu Nacional
da Música, agora instalado no vetusto Convento que nos surpreendeu com a
qualidade das obras de restauro que tem vindo a sofrer.Depois de deambular por vários
locais, Conservatório Nacional, Palácio Pimenta, Biblioteca Nacional e Estação
de Metro do Alto dos Moinhos, foi em finais de 2025 que assentou nas
instalações do Real Edifício de Mafra, onde hoje recebeu a nossa visita guiada.
Com cerca de quinhentas peças em
exposição, este museu alberga ainda nas suas reservas um acervo de mais de um
milhar de instrumentos musicais, bem como ferramentas de construção de
instrumentos, equipamentos áudio, acessórios diversos, partituras, fonogramas,
iconografia e documentação variada.
Pela sua raridade e importância,
alguns dos instrumentos musicais da sua coleção encontram-se classificados como
"tesouros nacionais". Destacam-se o cravo de Joaquim José Antunes,
datado de 1758, o cravo de Pascal Taskin, construído em 1782 para a corte de
Luís XVI de França, o piano Boisselot & Fils, que o virtuoso Franz Liszt
trouxe para Lisboa durante a sua digressão ibérica de 1844-1845, ou o
violoncelo stradivarius, datado de 1725, que pertenceu ao rei D. Luís.
Recorde-se que na sua génese
estiveram dois homens: o musicólogo Michel’angelo Lambertini (Porto, 1862
– Lisboa, 1920), um pianista, maestro e compositor, musicógrafo e organizador
de eventos, professor de canto coral, editor da revista A Arte Musical e
ainda, comerciante de fabrico e revenda de instrumentos musicais, e o melómano
António Augusto de Carvalho Monteiro, o "Monteiro dos Milhões" (Rio
de Janeiro, 1848 – Sintra, 1920), o proprietário da
célebre Quinta da Regaleira.
Além de instrumentos musicais, o
museu dispõe de documentos, fonogramas e iconografia, e tem uma vasta
programação de concertos, visitas temáticas e ateliers.
Foi uma visita interessante que nos
fez viajar, no tempo e no espaço, através da música e dos seus instrumentos.