segunda-feira, outubro 28, 2024

De como os três pastorinhos passaram a quatro e desceram até à cidade…

Imaginem que a Nossa Senhora não tinha aparecido na Cova da Iria, no cimo da já célebre azinheira, mas sim em Lisboa, no vetusto Parque Mayer, mais exactamente no recauchutado Teatro Variedades…

Imaginem que a Senhora não tinha falado em português de Portugal (única maneira de ser compreendida pelos pequenos pastorinhos…) mas sim em espanhol…

Agora imaginem que a sua audiência não tinham sido a Lúcia dos Santos, o Francisco Marto e a Jacinta Marto, mas sim a Maria Matos, a Beatriz Costa, o António Silva e o Vasco Santana…

Imaginem ainda que os eleitos para receber a divina mensagem, afinal não eram a Maria Matos, a Beatriz Costa, o António Silva e o Vasco Santana, mas eram antes a Sílvia Rizzo, a Sissi Martins, o Manuel Marques e o Ivo Alexandre…

Por fim imaginem que o propósito da Senhora não era a conversão da Rússia, (não desta de Putin, que não tem ponta por onde se lhe pegue, mas da outra, a de Lenine), e em vez disso a sua intenção era o assassinato de Hitler (intenção bem mais acertada, diga-se de passagem).

Pois tudo isto aconteceu realmente no passado domingo, dia 27 de outubro, e pôde ser testemunhado pelos atriunistas que tiveram o privilégio de estar presentes no sítio certo e à hora certa, ou seja, na plateia do Teatro Variedades pelas 19 horas!

O texto e a encenação para esta aventura espetacular são da autoria de Ricardo Neves-Neves, que num registo de imaginação humorística, juntou os percursos de Nossa Senhora, Hitler e quatro figuras míticas do cinema português dos anos 30 e 40.

Foram 55 minutos de boas representações, de alegres momentos musicais, extraídos dos temas de filmes dos anos 30 e 40, e de um humor inteligente e original.

O nome da peça: “Entraria nesta Sala”.


O Variedades antes

O Variedades agora

Adenda: Em complemento desta actividade, realizámos, no passado dia 24 de outubro, uma visita à exposição fotográfica “O Parque Mayer visto por Lauro António”, patente no Teatro Variedades. A visita foi guiada pelo Frederico Corado, filho de Lauro António, e permitiu que recordássemos o Parque tal como alguns de nós o conhecemos, com a sua vida intensa. Lá estavam os restaurantes, os cafés, as esplanadas, o barbeiro, o fotógrafo, o snooker, as farturas, as barracas de tirinhos, as bancas de livros, o guarda-roupa.

Ao olharmos este espaço hoje transformado num imenso parque automóvel, onde sobrevivem dois teatros recuperados, é natural a sensação de alguma tristeza sobre o futuro deste espaço que já foi um ícone da vida artística lisboeta.