De como os três pastorinhos passaram a quatro e desceram até à cidade…
Imaginem que a Senhora não tinha falado em português de Portugal (única maneira de ser compreendida pelos pequenos pastorinhos…) mas sim em espanhol…
Agora imaginem que a sua audiência não tinham sido a Lúcia
dos Santos, o Francisco Marto e a Jacinta Marto, mas sim a Maria Matos, a
Beatriz Costa, o António Silva e o Vasco Santana…
Imaginem ainda que os eleitos para receber a divina mensagem,
afinal não eram a Maria Matos, a Beatriz Costa, o António Silva e o Vasco
Santana, mas eram antes a Sílvia Rizzo, a Sissi Martins, o Manuel Marques e o
Ivo Alexandre…
Por fim imaginem que o propósito da Senhora não era a
conversão da Rússia, (não desta de Putin, que não tem ponta por onde se lhe
pegue, mas da outra, a de Lenine), e em vez disso a sua intenção era o
assassinato de Hitler (intenção bem mais acertada, diga-se de passagem).
Pois tudo isto aconteceu realmente no passado domingo, dia 27
de outubro, e pôde ser testemunhado pelos atriunistas que tiveram o privilégio
de estar presentes no sítio certo e à hora certa, ou seja, na plateia do Teatro
Variedades pelas 19 horas!
O texto e a encenação para esta aventura espetacular são da
autoria de Ricardo Neves-Neves, que num registo de imaginação humorística, juntou
os percursos de Nossa Senhora, Hitler e quatro figuras míticas do cinema
português dos anos 30 e 40.
Foram 55 minutos de boas representações, de alegres momentos musicais,
extraídos dos temas de filmes dos anos 30 e 40, e de um humor inteligente e
original.
O nome da peça: “Entraria nesta Sala”.
O Variedades antes
Adenda: Em complemento desta actividade, realizámos, no passado dia 24 de outubro, uma visita à exposição fotográfica “O Parque Mayer visto por Lauro António”, patente no Teatro Variedades. A visita foi guiada pelo Frederico Corado, filho de Lauro António, e permitiu que recordássemos o Parque tal como alguns de nós o conhecemos, com a sua vida intensa. Lá estavam os restaurantes, os cafés, as esplanadas, o barbeiro, o fotógrafo, o snooker, as farturas, as barracas de tirinhos, as bancas de livros, o guarda-roupa.
Ao olharmos este espaço hoje transformado num imenso parque automóvel, onde sobrevivem dois teatros recuperados, é natural a sensação de alguma tristeza sobre o futuro deste espaço que já foi um ícone da vida artística lisboeta.