terça-feira, março 31, 2026

O Atrium no Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), apreciando a sua exposição permanente

 

Foi no passado dia 13 de março que rumámos até à Rua da Junqueira para uma visita guiada à exposição permanente do MACAM.

Esta exposição, composta pela colecção reunida por Armando Martins, que teve o seu início em 1974 com a aquisição da primeira obra de arte original, afirma-se hoje como uma das melhores coleções de arte privadas de Portugal.

Abrangendo desde o final do século XIX até à atualidade, ela é composta por mais de 600 obras de arte e por uma grande diversidade de linguagens, como escultura, pintura, desenho, fotografia, vídeo e instalação, ocupando as Galerias 1 e 2 do piso 0 do Palácio.

Na Galeria 1 pudemos apreciar um percurso cronológico pela história da arte portuguesa, desde o final do século XIX até aos movimentos modernistas que revolucionaram o século XX, através de obras dos mestres consagrados que modelaram a identidade artística do nosso país, como: José Malhoa, Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Santa-Rita, António Dacosta, Maria Helena Vieira da Silva, José de Guimarães, Júlio Pomar, Lourdes Castro, Nadir Afonso — entre outros.

Na Galeria 2 o percurso ganha continuidade com obras de arte contemporânea, numa abordagem organizada por diversos núcleos temáticos, em que a arte se transforma numa ponte entre culturas e gerações. Ali, num diálogo entre artistas portugueses e estrangeiros, apresentam-se obras de Thomas Ruff,  Michael Biberstein, Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes, Rosângela Renó, John Baldessari, Juan Munoz, Paula Rego, Marina Abramovic, Elmgreen & Dragset, Fernanda Fragateiro, Isa Genzken, entre outros. 

Nesta parte da exposição, é possível encontrar uma multiplicidade de linguagens e suportes artísticos, como fotografia, vídeo, instalação, que ultrapassam os parâmetros tradicionais das épocas anteriores.

Refira-se que o Museu MACAM ocupa atualmente o espaço historicamente conhecido como Palácio dos Condes de Vila Franca — mais tarde Condes da Ribeira Grande. 

O edifício, mandado construir em 1701 pelo Marquês de Nisa, Francisco Baltazar da Câmara, foi adquirido em 1752 por José da Câmara Telles, Conde da Ribeira Grande, cujo nome adotou. O palácio sobreviveu ao terramoto de 1755 e no seu frontão, ainda podem ser vistos vestígios dos antigos proprietários, com a divisa: "Pela Fé, pelo Príncipe, pela Pátria".

Adquirido pelo atual proprietário em 2006, as obras de reabilitação e expansão do edifício começaram no final de 2018, com uma nova construção com fachadas brancas com linhas retas, sendo a ligação entre o Palácio e esta nova ala feita por uma área exterior, onde um espelho de água, ao longo do corpo do Museu, reflete a cerâmica da fachada do novo edifício.

Foi uma manhã bem interessante, que culminou com um animado almoço no restaurante “O Lutador”, nas imediações do MACAM.