quarta-feira, julho 08, 2026

O Atrium apreciando a obra multifacetada de Bordalo Pinheiro

 


Foi no passado dia 16 de junho que o Atrium se deslocou até ao Campo Grande, para uma visita guiada à nova Exposição da Coleção do Museu Bordalo Pinheiro. Esta exposição, inaugurada em 15 de janeiro apresenta uma visão atual sobre a vida e a obra do artista, nas diferentes áreas em que trabalhou e atuou.

Ele foi caricaturista, ilustrador, fez trabalhos gráficos diversos, figurinista, e também ceramista, decorador e empresário.

Nascido em Lisboa (1846 – 1905), aí viveu grande parte da sua vida, tendo convivido com importantes escritores, jornalistas, atores, dramaturgos, encenadores. Viveu no Rio de Janeiro, durante quatro anos, onde dirigiu três dos oito jornais humorísticos que fundou ao longo da vida.

Liberal, anti-monárquico, anti-clerical, socialmente comprometido, sonhou e lutou pela República, e no seu jeito alegre e mordaz, riu e fez rir a sociedade do seu tempo.

Hoje, mais uma vez, fez-nos rir e refletir.

Esta nova Exposição é composta por sete salas:

- A SITUAÇÃO… PELA LENTE DE BORDALO

A segunda metade do século 19 foi marcada por grandes transformações políticas, económicas, sociais, tecnológicas e artísticas. Os desenvolvimentos da imprensa, dos transportes e das comunicações permitiram a Bordalo acompanhar os acontecimentos nacionais e internacionais.

- JOGOS DE HUMOR: DO DESENHO À CERÂMICA

Bordalo explorou de forma criativa o desenho humorístico, tornando-o o seu principal meio de expressão. Da personagem à ação, e desta à construção da narrativa gráfica, Bordalo desvenda o seu contributo para a banda desenhada.

- FIGURAS E PERSONAGENS

Bordalo caricaturou as principais personalidades do seu tempo, salientando-se os políticos, mas também, os escritores e os atores, estes por especial apetência do artista e pela sua importância na vida cultural e mundana.

Criou personagens necessárias à crítica social e política, sendo exemplos maiores o Zé Povinho.

- OS PALCOS DE LISBOA

A cidade de Lisboa é tema e palco de grande parte da crónica humorística de Bordalo.  Foi aí que nasceu e viveu a maior parte da sua vida. Para a transformação das ruas de Lisboa contribuíram os seus projetos de decoração para montras e o desenho de cartazes publicitários.

- COMÉDIA POLITICO-BURLESCA

Os jornais de Bordalo acompanhavam de perto a vida política nacional. Alguns temas são recorrentes, como os vícios do sistema e as manobras partidárias, as eleições, a dívida e as obras públicas, entre outros.

- TRAGICOMÉDIA SEM LIMITES

Bordalo não excluiu da sua produção humorística quaisquer indivíduos, instituições, temas ou ideias. Entre os ingredientes de humor que usou fazem parte costumes populares, religiosos, manifestações da cultura erudita, mas também preconceitos sociais, raciais, de género e sexuais.

- O LÁPIS COMO ARMA

No final do século XIX assistiu-se ao aumento da contestação política e do conflito social. Paralelamente foram postas em marcha medidas de controlo e repressão no espaço público. As ruas de Lisboa e do Porto eram vigiadas em permanência pela polícia, limitando as liberdades de expressão e reunião. A imprensa, poderoso meio de formação da opinião pública, encontrava-se cada vez mais ameaçada pela censura.

Bordalo encara o seu lápis como arma de defesa e contra-ataque na luta pela liberdade e igualdade. Esse poderoso instrumento de desenho permitia-lhe expressar as suas ideias, denunciando situações e instigando ações de mudança.

 

Paralelamente tivemos o prazer de visitar a exposição “Toma! 150 anos de Zés Povinhos”, onde pudemos acompanhar o percurso desta personagem criada por Bordalo, no ano de 1875 nas páginas do seu jornal “A Lanterna Mágica”, que ao longo dos mais de 150 anos da sua vida, foi apropriado por outros caricaturistas saltando para as páginas dos jornais humorísticos, subiu aos palcos de teatro, estando o seu celebérrimo manguito presente em cartazes publicitários e de propaganda política, selos de correio, marcas comerciais, capas de jornais, etc...

 

Foi uma manhã bem aproveitada na companhia deste Bordalo e do seu Zé Povinho, que   já ganhou um lugar no nosso imaginário, como um símbolo do povo português.