O Atrium na Herdade da Barrosinha levando a nossa solidariedade às vítimas das recentes tempestades
As tempestades que assolaram
sobretudo o centro do país, deixaram um rasto de destruição, cuja reparação afigura-se
um processo longo e difícil.
Com o objectivo de dar a nossa
modesta contribuição para esse processo, o Atrium decidiu realizar uma visita à
Herdade da Barrosinha, situada no município de Alcácer do Sal, uma das zonas
mais atingidas por aquelas tempestades.
No período mais crítico desses dias,
chegaram a estar acolhidas no Hotel da Barrosinha cerca de 50 pessoas
desalojadas, pois parte da aldeia ficou submersa.
Neste momento a Herdade da Barrosinha
está a trabalhar no sentido de voltar ao seu funcionamento normal, tendo
acedido ao nosso pedido abrindo o restaurante para a realização do almoço, que
teve lugar no passado dia 25 de junho.
Um pouco de história sobre esta
herdade.
A sua origem remonta a finais do
século XIX, quando se assiste à extinção das Ordens Religiosas e à
nacionalização e venda dos seus bens, do que resultou a constituição das
grandes propriedades, que hoje ainda perduram no concelho, como Comporta,
Palma, Pinheiro e Barrosinha.
Em 1947 nasce a Companhia Agrícola da
Barrosinha, integrada na Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca, então uma
das maiores empresas de produção e distribuição de vinhos, funcionando como uma
propriedade agroindustrial, dedicada aos setores vinícola, produção de
cerâmica, pecuário e agrícola, nomeadamente na produção de arroz, cortiça,
vinho, gado bovino e pinha. Além disso, possuía uma aldeia onde residiam
trabalhadores e suas famílias, criando uma comunidade em torno das atividades
produtivas da propriedade.
Dada a sua dimensão, cerca de dois
mil hectares, e a exploração praticada em grande escala, a Barrosinha funcionou
como um microcosmo rural, um lugar de trabalho, mas também de vida social, onde
não faltavam a escola, a taberna e a capela.
Durante o chamado Estado Novo, a sua Albergaria
era procurada pelos grandes latifundiários e pelas altas figuras do regime de
então, não faltando a realização de eventos desportivos, a cargo da Mocidade
Portuguesa.
Consequentemente, com o 25 de Abril
vivem-se momentos de perturbação, chegando a concretizar-se a sua ocupação, em
junho de 1975 e, quatro anos depois, parte do património era restituído aos
antigos proprietários, ficando a sua administração tripartida, entre o
Ministério das Finanças, o Ministério da Agricultura e os proprietários.
Mais recentemente, em 2009, surge um
muito ambicioso projecto turístico-imobiliário, o “Barrosinha Nature Farm
Resort” (estes nomes no idioma de Shakespeare não enganam…), que se
propunha construir 7894 camas, distribuídas por aldeamentos e vários hotéis,
sem esquecer o inevitável campo de golf e a produção de vinhos…
Este projecto megalómano (em 12
anos, deveriam nascer, entre muito outros equipamentos, um hotel de cinco
estrelas com 150 quartos, um de quatro estrelas com mais 80 quartos, 11
aldeamentos turísticos de quatro estrelas, com cerca de dois mil fogos, num
total de oito mil camas, e um campo de golfe com 18 buracos) que
implicaria 600 milhões de euros de investimento, considerado “rural chique”
(?), chegou a ser classificado como Projecto de Interesse Nacional, os
famigerados PIN, mas nunca avançou de vido á falência de empresa promotora.
É então que a Barrosinha, em
pré-falência, é adquirida por um fundo que gere dezenas de activos imobiliários
falidos, e tem-se verificado a renovação do projecto, de forma faseada e menos
ambiciosa, cuja prioridade é "reabilitar as atividades que estavam
fechadas desde 2012", numa perspectiva realista, valorizando a riqueza
paisagista e fomentando a sustentabilidade ambiental e económica.
E foi nesta “nova” Barrosinha que nos
encontrámos para um almoço e para uma visita, ainda que superficial, à sua
actual realidade.
Foi um dia bem passado que, para além do sempre animado convívio, nos deu a conhecer uma realidade desconhecida para muitos de nós.








